Engajada que dói

dezembro 16, 2010

Medíocres francófonos que somos, a gente não entende nada de chanson française, não sabia que há várias correntes e particularmente uma que podeira nos interessar, a engajada. Acabamos num show da Agnès Bihl, na Mediateca de Paris, por acaso. Escolhendo os shows gratuitos no guia Lylo, em horários e locais que conseguíamos chegar e de gêneros que desconfiamos que poderíamos gostar.

Tresloucada, histérica e acompanhada de uma pianista que ela mesma chamou de psicótica, fez um show incrível. Cantou uma mãe desesperada que vê o filho recém-nascido como símbolo de anti-feminismo. Ironizou uma amante explorada pelo namorado rico: “é o homem para você”. Apontou a incoerência do mundo e tirou a gente do sonho suspirante de andar por Paris.

Enquanto a beleza e a poesia ordenada se espalham pela ruas, casas de show, padocas, quitandas da cidade, Agès olha para o outro lado. Bom. Se a Carla Bruni canta o amor, ela canta a pedofilia. Forte até para quem não entende francês. Aí embaixo, Touch pas à mon corps do YouTube porque não conseguimos subir o áudio que fizemos lá no show. (Alguém sabe?)

No Brasil, usamos dor como expressão de exagero. Agnès é engajada que dói.

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