Apego à terrinha

julho 11, 2011

FFF: futebol, família e fátima é o acrônimo que melhor descreve os portugueses, disse ano passado um guia turístico. Faz sentido. As paixões pela pelota nas tascas não ficam muito atrás das que vemos nas discussões de boteco. Não faltam igrejas e procissões pelo país. Os jovens portugueses, em geral, têm uma ligação forte com a família e relutam em sair das suas terras.

Estereótipo que é estereótipo é sempre, enfim, estereótipo: impreciso. Assim, a população do distrito (como se fosse o Estado no Brasil) de Lisboa cresceu por volta 5% nos últimos dez anos enquanto a do país não aumentou 2%. A capital tem maior dinamismo econômico, atrai pelas oportunidades no mercado de trabalho. E lá vão trabalhadores.

Mas não ficam, muitas vezes, no fim de semana. Deslocam-se de uma cidade para outra toda sexta ou sábado e vivem afetivamente ligados a um lugar e economicamente ligados a outro. Dizem que por não terem opção, gostavam é de poder ficar nas suas terras. Falta é emprego.

callingeurope.blogspot.comOntem viemos de boléia do Porto a Lisboa com um gajo que faz esses 320 quilômetros e mais um pouquinho para ir (quase) todo o fim de semana à sua terra, Guimarães. De Lisboa, mal sabe o nome das avenidas.

E viver mesmo, é cada vez menos nas capitais e cada vez mais nas cidades da região metropolitana — como o gajo da boléia, que também morava aqui em volta. O redor de Lisboa vem crescendo em população enquanto a capital se reduz: 4 dos 5 maiores crescimentos populacionais do país nos últimos 10 anos, superiores a 30%, foram em cidades que cercam Lisboa. Essa aí perdeu 4% da população no período. O mesmo acontece no Porto, a segunda maior cidade do país. Ambas polarizam cada vez mais cidades à sua volta. O INE, o IBGE daqui, diz que elas polarizam cada vez mais as cidades e cada vez o raio de alcance aumenta.

E adivinham como esse povo móvel se desloca? Cada um no seu carrinho. Um estudo de 2001 sobre o deslocamento nas duas áreas mostrou que 50% iam mas era de carro, 40% dirigindo o seu. Dez anos antes, eram 20% ao volante. Imagina hoje? A gente pelo menos foi no banco de trás.

Não fosse a seleção daqui subir para um histórico terceiro lugar no ranking da Fifa, a semana portuguesa estaria daquelas de azedar o vinho e por sal no pastel de nata.

Desde segunda-feira os transportes e os correios estão sendo afetados por paralisações de funcionários. O governo do socialista José Sócrates, bola da vez da crise na União Europeia, congelou os reajustes salariais para servidores, incluindo os de empresas públicas, e desencadeou a grita.

A coisa pegou mais na terça-feira, quando foram afetados trens, barcos e ônibus – e de quebra, quem usa carro. Justamente no mesmo dia a Standard & Poor’s resolveu rebaixar a classificação dos papéis portugueses para o menor nível desde que as avalições do país começaram, em 1991. Para o governo e os meios de comunicação daqui, o senso de oportunidade da S&P é chamado sem rodeio de ataque à economia portuguesa. A agência ainda sugere que o governo aumente impostos para dar conta dos encargos.

A nossa matéria está no Opera Mundi.

Ainda bem que no futebol vai tudo nos conformes.

Com essa silhueta?

novembro 11, 2009

Que o futebol do Ronaldo Fenômeno é único até há controvérsia. Mas que silhueta igual a dele não há, todo mundo concorda.

Também não. Aqui em Lisboa parece que a lipo dele surtiu efeito. O Metro daqui publicou uma foto dele jurando ser o CR9 (o Cristiano Ronaldo). Na capa, tomando mais precisamente metade dela.

capametro-ronaldo

Os dois são Ronaldo e as camisas dos times são bastante parecidas. A semalhança acaba aí. Não bastassem as costas largas, tinha os cachos do cabelo, a bandeira do Corinthians e até o nome do timão na gola da camisa.

caparonaldo

Como comentavam no twitter há alguns minutos, essa doeu mais que a contusão do Cristiano Ronaldo – o motivo pelo qual ele deveria ter saído na capa. Lesionado no tornozelo, CR9 vai ficar fora do próximo jogo da seleção portuguesa com a Bósnia Herzegovina pela Copa de 2010.cr9

Por ora, nenhuma explicação do que houve, nem erramos na página do jornal na internet. Só o twitter bombando em comentários.

%d blogueiros gostam disto: